Fui assalta em plena zona sul do RJ. Entenda as análises críticas étnico raciais sobre Segurança Pública



Olá, pessoal! Tudo bem? Trago a vocês uma narrativa delicada à respeito do ocorrido comigo no último sábado, dia 08/02/2020, às 20hs, na praia de Copacabana.

 Estava no bairro, em curso, e decidi dar uma volta para espairecer, uma vez que a carga horária é imensa. Fui à praia, sentei e fiquei ali alguns minutos até decidi retornar. Percebi que em minha direita, um homem preto retinto, obeso, alto estava catando recicláveis e me levantei para ir embora. Estava em mãos com uma bolsa tira colo e um par de tenis. No que estou caminhando, senti o mesmo puxar minha bolsa e sair correndo. A sensação é tão rápida que, ou te paralisa ou te coloca em ação.

Me subiu uma adrenalina louca, corri e gritei pela praia os dizeres: "pega ladrão!" "ladrão", "me roubou", "assaltante" e nunca imaginei que pudesse correr e gritar tanto. O mesmo foi contido por populares que consegui recuperar meus pertences e o mesmo segue em fuga.

Fui acolhida pelos populares, pela COMLURB que me ofereceu água e em seguida pelo policial da PM que teve uma postuar de acolhimento e me convidou à reconhecer o autor do delito.

 Entrei na viatura, com outros policiais tambem negros e fui muitíssimo bem tratada e respeitada. O meliante foi reconhecido, algemado e conduzido à delegacia para prisão.

 Graças a Deus tud acabou bem, mas poderia não ter acabado. Meu post é apenas para desabafar sbre o estado de insegurança que vivemos nesta cidade, as fragilidades da Justiça e a questão de classe e raça/cor que é nítido serem visto nestas situações.

Na delegacia, enquanto esperava para depor, outros muitos jovens pretos e pardos chegavam em comboio com o mesmo histórico: furto, assalto a mão armada e tentativa de homicidio. Era a visão do inferno ter uma leitura de como estes jovens, por opção ou não, entendem que a vida do crime é mais ostentada e digna do que estudar ou se dedicar a outras atividades sustentáveis. Isso para mim foi um choque e me fez pensar meu papel como ser humano, mulher negra, assistente social e ativista por direitos humanos a seguinte questão: para onde estamos indo? O que de concreto existe institucionalmente, subsidiado ou não pelo Estado, que tente apresentar outras possiblidades a estes jovens?

Meu lugar de fala nesta questão se dá por ter atuado por mais de cinco anos na saúde coletiva da regiã central, onde também lidava com jovens com este tipo de prática e, nas entrevista e acompanhamentos sociais, o que entendíamos é que a ausência total de referências e perspectivas de vida.

Sobre o autor do meu furto, cujo sobrenome é "da Silva" me faz entender a vida que o mesm provavelmente teve: fruto do acaso, sem pai, mãe ausente por trabalho, morte ou abandno, criado por avós, tios, vizinhos entre outros. Este é o retrato da população preta e pobre brasileira que, neste governo, os enxergam como vermes que devem ser exterminados. Será?

Será que matar e morrer é a única solução do fim da criminalidade e do bem estar da segurança pública? Sabemos que não. Assim como o bem, o mau também são sementes que não param de crescer e o caminho é "podar". Daí me pergunto: equanto sociedade civil, o que mais podemos fazer?

Fiz um vídeo falando sobre este assunto como um desabafo desejando entender um pouc mais a opinião de vocês.

          

E ,é isso, pessoal! Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto e quais caminhos deveríamos assumir para conter a onda de criminalidade que existe hoje em nossas capitais?

 Beijos e até o próximo post.

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