Feminismo Negro - Você sabe o que é? Talvez seja útil para nós.


Olá, pessoal! Tudo bem? No post de hoje abordo sobre um tema que muito nos interessa, mas talvez não demos conta da sua relevância, que é sobre o Feminismo Negro.


Afinal, o que é Feminismo, gente???

O Feminismo em geral, é entendido, conceitualmente digamos, como um movimento sociopolítico, ideológico e filosófico, que visa  conquistar igualdade, oportunidade e proporcionalidade de direitos entre homens e MULHERES, à qual vivemos uma real diferença e discrepância, seja no ocidente ou no oriente.

Um exemplo claro disso são privilégios que muitos homens tem sobre as mulheres, não só através da cultura machista, como também no mercado de trabalho, onde muitos ganham mais do que nós mulheres, exercendo a mesma função e mesma carga horária.

Jamais podemos dizer que o feminismo é o contrário de machismo, pois este visa a dominação e o outro a igualdade dos gêneros sem sobrepor um ao outro.

O movimento feminista ganhou grande repercussão na década de 60, com outros movimentos sociais de forte expressão como o movimento negro, movimento LGBT e outros de "minorias invisíveis". Em virtude da ditadura militar e outros altos e baixos político, parte deste movimento foram se fragilizando. A partir da década de 90 em diante, paulatinamente o Movimento Feminista foi retomando nas forças graças às redes sociais que permitem uma liberdade de expressão maior em alcance, velocidade e público e a congruência em assuntos e experiências em comum como a , violência contra mulheres, desigualdade no mercado de trabalho, assédio sexual e moral entre outros.



Ok, mas se somos MULHERES, por quê a existência de um Movimento Feminista Negro?

A medida que o diálogo entre mulheres crescem, percebe-se diferenças em suas pautas. Não por  questão de vantagens ou privilégios (pois isso não nos pertence), mas por peculiaridades comum acirradas mais pelo RACISMO, do que o machismo e sexismo.

O Feminismo Negro surge como um movimento social, protagonizado por mulheres negras, que objetiva promover e visibilizar  pautas pertinentes às necessidades das mulheres negras. Ela ganha força a partir da década de 70, por quê não encontra espaço de fala e escuta no próprio movimento negro, sendo silenciado pela repressão à autonomia feminina, impedindo igualdade de lugar entre mulheres e homens negros e, no Movimento Feminista, o preterimento às pautas pertinentes às singularidades das mulheres negras, preterindo-as às pautas que contemplavam apenas mulheres não negras.
Pode parecer bizarro, mas encontrava-se ausencia de representatividade em ambos os espaços. No Movimento Feminista, a luta era por igualdade de direitos de mulheres brancas para com homens brancos e para nós, ainda não tinha espaço a discussão do peso histórico da subordinação à sombra da escravatura, uma vez que mulheres negras ocupam um lugar servil/invisibilizado por homens e mulheres não negras.

A partir deste insight, começamos a construir nossa autonomia, a partir da visibilidade de nossas pautas direcionadas à conscientização das diferenças de raça e classe e gênero, bem como na produção de conteúdo bem fundamentadas que iam muito mais além da discurssão de acesso a educação para manutenção de boas condições financeiras.

Contudo, não houve reconhecimento das pautas e tampouco reconhecimento das mulheres negras que lutaram pelas pautas do movimento feminino hegemônico, promovendo um vácuo de representatividade negra.

Obviamente a necessidade desta cisão não foi considerada pelo movimento feminista que rotulavam mulheres negras como "criadoras de caso" e que enxergamos racismo em todos os lugares, bem como ouvimos e lemos tais frases feitas.
Nossa luta vai, contraditoriamente, à favor da igualdade de direitos de mulheres negras para com mulheres brancas. Somos mulheres? Sim; mas nossas questões são bem diferentes uma das outras. Podemos ter como exemplos evidentes: a visibilidade/representatividade na mídia televisiva, impressa e digital; na literatura, no mercado de trabalho (quantas negras ocupam espaço de decisões nas empresas públicas e privadas?), no lugar de vítimas em situações de violências (da armada à doméstica), do protagonismo à maternidade em maioria solitária entre outras pautas.


"Enegrecendo o feminismo é a expressão que vimos utilizando para designar a trajetória das mulheres negras no interior do movimento feminista brasileiro. Buscamos assinalar, com ela, a identidade branca e ocidental da formulação clássica feminista, de um lado; e, de outro, revelar a insuficiência teórica e prática política para integrar as diferentes expressões do feminismo construídas em sociedades multirraciais e pluriculturais” (CARNEIRO, 2003: 118).

Ainda hoje vivemos lutas ideológicas, simbólicas, subjetivas e até objetivas para fazer entender e respeitar nossas reinvindicações. Muitos tentam sufocá-las repetindo as frases de efeito e afirmando que estamos com "mi-mi-mi". Isso prova e comprova o quão invisível socio e historicamente perpassdam nossas questões, comparadas com a de outros movimentos. Isso demonstra claramente o quão racista o Brasil e sua sociedade são, mas não podem assumir claramente, por se tratar de crime. Logo, as formas de minorar é reduzir nossas lutas como nada. Por isso precisamos nos empoderar, não apenas com cabelos naturais, mas principalmente com embasamento socio, histórico, político, estético e racial, para fazer valer nossas resistências. 

Deixo para pesquisas, os escritos de grandes autoras negras que contribuem totalmente à formação do pensamento negro social brasileiro:

Jurema Werneck, Sueli Carnéiro, Lélia Gonzalves, Djamila Ribeiro, Jarid Arraes, Nilma Lino Gomes, Angela Davis, Claudete Alves, Ana Claudia Lemos Pacheco, Luh Souza, e outros expoentes de grande expressão que podemos citar ao longo do tempo.

Espero que este texto tenha contribuído com nossa construção racial.

 Beijos e até o próximo post.



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Um comentário:

  1. Esse Blog esta cada dia mais maravilhoso! Estética é importante pra auto-estima sim, ajuda a dar visibilidade, a dar confiança e etc. Mas você vai além disso. Parabéns por manter seu conteudo tão completo. Você é uma blogueira/influence maravilhosa!!! Obs: Sei que você sempre diz que não é blogueira por ter uma formação e ter seu sustento principal em uma outra profissão, mas nenhuma de nós é uma coisa só, certo? ;)

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