Refletindo: Ditadura do cabelo crespo natural? Guerra ou Paz?





Olá, pessoal! Tudo bem? No post de hoje trago uma reflexão à respeito da possível ditadura do cabelo crespo/cacheado natural. Será que estamos em tempos de guerra e paz ou isso é apenas comportamento de uma minoria?

Como uma mulher negra/preta em construção, percebo que os passos dos meus ancestrais vem de longe e isso não pode ser desprezado. O que quero dizer com isso? Que este movimento sobre negritude, o lugar da mulher preta no mundo, às questões sociais de um modo geral que nos abarcam, são frutos de muitos estudos, reflexões que muitas mulheres construiram. Vou citar apenas algumas: Lélia Gonzalvez, Neuza Santos (in memorian), Maria Carolina de Jesus, Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Ana Claudia Lemos Pacheco, Jarid Arraes, Jurema Werneck. Sthefanie Ribeiro, Angela Davis e outras tantas que colaboraram POSITIVAMENTE para a aceitação de ser mulher preta, de cor e com orgulho, dentro de um contexto mundial racista, capitalista e sexista, que tende à nos ver como coisas/objetos e negando nosso lugar no mundo e na história.

Em outras palavras, percebo que há um crescente movimento de mulheres negras, principalmente nas redes sociais, onde este movimento atualmente tem ganho força e muita expressão e levando isso de uma forma deturpada e excludente. Como: fazendo referência à negritude real com base no cabelo natural e esquecendo que o elemento "cor", no primeiro momento, é o que nos identifica enquanto negros.

Sim, concordo e respeito plenamente de que as IDENTIDADES RACIAIS são múltiplas e cada um escolhe sua forma de representação. O cabelo crespo/cacheado natural é uma delas, mas não é a única. Muitas mulheres negras, de cabelos alisados, com laces, quimicamente tratados (como eu), ainda não vista como "personas non gratas", dentro de alguns espaços de ativismo e militância, por optarmos em não usarmos nossos cabelos naturais, mas transformá-los com quimica.

Dai surgem alguns questionamentos e precisamos remeter a história: na década de 70, enquanto o movimento feminista ia às ruas com suas pautas que não nos contemplavam, aonde estávamos? Nossas ancestrais, isto é, nossas mães, avós, tias estavam nas casas trabalhando como domésticas, babas, nas cozinhas e em outros espaços de invisibilidade, lutando para ter-se condições de vida melhores. Hoje usufruimos deste pseudo espaço de liberdade para nos expressarmos, no conforto de nossas casas, com nossos computadores. Isso foi fruta de trabalho suado, de luta, de silenciamento em prol de nos oferecer condições de vida melhor e isso está sendo desprezado e trocado por um posicionamento radical e extremista, que visa apenas o embelezamento cosmético e não estético-político, conforme a construção do movimento negro se propõe.

Não quero me alongar, mas quero deixar apenas esta reflexão de que, em nome da nossa beleza, não podemos excluir o que já foi construindo e tampouco fazermos guerra e excluir àqueles e aquelas que são nossos irmãos de luta. Não somos obrigadas a concordar com suas escolhas, mas devemos respeitar e nos vermos como iguais, porque nossa luta não acabou. Ela está apenas começando.

 Gostaria de saber a opinião de vocês. Beijos e até o próximo post.

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Um comentário:

  1. Ótima reflexão! Pela liberdade de sermos o que quisermos ser!!!

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