O cabelo é de quem?


Olá, pessoal! Tudo bem? No post vamos bater um papo cabeça sobre cabelos e estereótipos. Na semana passada dei uma passadinha no evento Força no Black, organizado aqui no Rio de Janeiro, pela querida Lola Monteiro e, compareci para prestigiar e lhe dar um abraço pela conquista. Ao chegar, havia uma paletra bem interessante, mas confesso que não me foquei na pauta. Em conversa a Lola me disse que a palestrante estava trabalhando uma temática chamada: "O cabelo é de quem?"

Isso me chamou muito atenção, pois sempre temos hábitos de julgar o que é bom e ruim nos outros, o que fica bonito ou feio, o que combina ou não, o que é ou o que não é, mas a gente não pára para pensar nesta questão: O cabelo é de quem? Quem precisa se importar e se sentir bem com ele? Eu ou a pessoa que usa?

Ao longo de décadas, quiçá séculos e milênios, nós negros fomos e ainda somos alvos de preconceitos, discriminações, resistências e até atos de racismo, algumas vezes, levados pelo estereótipo social da cor sim, mas também pela questão da estrutura e textura do cabelo crespo. Pode parecer absurdo em pleno século XXI, mas não é.

Hoje, em alguns grupos e movimento sociais, a textura do cabelo crespo e sua cor ainda são critérios de elegibilidade de que é mais ou menos negro neste contexto. Sem querer desqualificar ou descaracterizar a ideologia de que cada um acredita, mas ser negro no Brasil ou em qualquer lugar do mundo é um critério que está para além da cor e tom da pele, da cor dos cabelos entre outros. Ser e estar negro é levar em considerações nossas ancestralidade, nosso histórico de lutas pela inclusão e respeito às nossas diferenças sociais, culturais, religiosas e outros. É se colocar e se impor como ser, pessoa e sujeito nesta sociedade competitiva que tende à selecionar as pessoas pelo critério do mais belo, mais forte, mais inteligente e, muitas vezes, os negros passam longe dos olhos de quem seleciona.

Portanto, refletir sobre a idéia de quem pertence o cabelo que está, seja na minha cabeça ou na cabeça do outro é, antes de mais nada, um ato nobre de respeito à pessoa humana, de respeito às suas origens e escolhas e, antes de mais nada, a sua historicidade e o lugar no mundo que cada um temos.

Proponho que, ao invés de procurarmos brechas para nos diferenciarmos, pois isso é um ponto que leva à intolerância e também à fragmentação do movimento social, por quê não buscarmos o que temos em comum um para com os outros. Acredito que, esquecendo às diferenças frutos das escolhas e, se unindo pelo que há de singular, nos tornaremos mais fortes enquanto classe, gênero, raça... ou melhor, enquanto pessoas humanas.

Beijos e até o próximo post.
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2 comentários:

  1. Nossa adorei seu post. Acho que ao invés de tentar nos encaixar aqui ou ali. Devemos estar de bem com a gente mesmo.
    Bjs
    inspiracaomaterna.com

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  2. Nossa adorei seu post. Acho que ao invés de tentar nos encaixar aqui ou ali. Devemos estar de bem com a gente mesmo.
    Bjs
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