Marginalizando a pobreza: caso adolescente infratores


Olá pessoal! Tudo bem? Para quem me acompanha nas redes sociais, esta semana publiquei um desabafo longo a respeito dos fatos que tem ocorrido no Rio de Janeiro, no que tange a violência urbana, principalmente aquelas ocorridas na zona sul da cidade, onde pessoas estāo sendo vitimizadas, por golpes de facas, desferidos por adolescentes ou adultos, com o objetivo de roubo.

Como sabem, houve algumas vitimas, entre elas, uma fatal, o Dr. Jaime Gold. O assunto é sério e vivemos, particularmente, um caos nas questoões sociais, porque vivemos em um Estado omisso, que atende aos interesses privados e vivemos a crise da sociedade civil que pouco ou nada reflete sobre tais questões e é levada induzida e manipulada pela mídia que, cujo objetivo é fortalecer a omissaāo deste Estado e também ser beneficiada por seus interesses privados. Vamos acordar!

Gostaria de compartilhar com vocês sobre este desabafo e chamar atençāo sobre algumas amarras que temos neste longo debate que inclui, nada mais nada menos do que a reduçāo da maioridade penal.

Há uma conta que ninguém quer pagar e exige que o preço cobrado seja pago por alguém, mas afinal, todos nós pagamos esta conta e nāo se sabe para onde os dividendos vāo? 

Me refiro às questões sociais que há muito batem à nossa porta, mas que hoje o barulho é mais intenso, pois sāo desferidos à golpes de facas em vítimas da zona sul do RJ. Estas questões sāo antigas, mas que o Estado e a sociedade fechamos olhos em resolvê-las, por uma resposta muito simples: “pobre tem que morrer!”.

O "judas"da vez é o ADOLESCENTE, que cometeu possível ato infracional,  na morte do Dr Jaime Gold e de outras pessoas que possivelmente, com outros adolescentes, podem ter contribuído em vitimizá-las. A mídia apresenta com grande sensacionalismo e repetições a idéia do “Menor”, que precisa ser preso e morto, se possível, nāo apenas pelos atos cometidos, mas principalmente por ter nascido pobre, preto e ter saído de um dos bairro mais vulneráveis do município do Rio de Janeiro. Só que a mídia sabe e nāo diz que este adolescente que cometeu ato infracional, por qualquer motivo que venha justificar diante das autoridades, que ele é portador de direitos, tanto quanto as crianças e adolescentes que moram na zona nobre do RJ. Se o direito dele como pessoa é negado, como vamos exigir que ele respeite o direito dos outros???
O Estado que tem o DEVER de cumprir o que está na Constituiçāo Federal de 1988 onde o direito a vida, liberdade, educaçāo, saúde, lazer, segurança, trabalho, cultura e outros sāo da sua alçada, mas como sabemos, este Estado está cada vez mais distante, pois hoje seu compromisso nāo é mais com o bem estar social, mas com a manutençāo dos interesses privados e privativas  representados pelas empresas privadas, principalmente aos bancos e outras empresas que sustentam quem está no poder controlando a sociedade.

A sociedade (que somos nós) estamos no direito exigir aquilo que é de competência do Estado, mas como sociedade civil também devemos colocar a māo na massa e contribuir para além do pagamento dos nossos impostos.  Se nenhum dos lados assumir sua parte em competências, teremos um colapso social, de dimensões impensadas, uma vez que mantemos e somos coniventes com às  DESIGUALDADES SOCIAIS. É fato que esta precisa ser combatidas com leis e políticas públicas de inclusāo, incentivo e fomento ao desenvolvimento social, mas nós como sociedade precisamos contribuir um pouco mais, ainda que de forma mínima, para que as coisas avançem. Uma das contribuições está na mudança do nosso pensamento e comportamento acerca de como os fatos sociais acontecem. Deixarmos de seguir piamente o que a mídia traz e reproduzir e começarmos a enxergar as coisas através de outras lentes que sāo propostas, entre elas as lentes do amor, da solidariedade e da justiça social exigindo aquilo que é certo e direito de todos nós.

Percebe-se que, com todos os incentivos, a pobreza  ainda continua mostrando sua face porque pouco conseguimos manter as crianças e adolescentes na escolas ou em atividades que estimulem seu desenvolvimento. Precisamos pensar em ferramentas que estimulem pais e responsáveis à participarem da vida destes, manifestando mais carinho e interesse pelo seu desenvolvimento. Para isso, precisamos que este Estado se aproprie do que é sua competência e a sociedade civil exija aquilo que é pago e que haja mais investimentos, em gastos públicos, direcionados a famigerada Educaçāo, Saúde, Assistencia Social, Cultura e outros. Investir nestes pilares que minimizam às questoões sociais é desperdício já que o pobre nāo dá retorno. O pobre ainda é a maior concentraçāo de maāo de obra barata no mercado, sujeito a todo tipo de transgressāo.

As desigualdades provocadas por nós sāo refletidas na casa destes adolescentes e ainda nāo queremos que eles se enveredem para os caminhos tortuosos dos atos inflacionais?

Reduçāo de maioridade penal? Para alguns é o caminho, mas fica a pergunta: se os sistema prisional nāo consegue reabilitar adequdamente adultos, como pensam em reabilitar adolescentes? O que precisa é haver mais investimentos nos setores bases, concomitantes com revisões legais por parte do legislativo e judiciário para que haja responsabilizaçāo destes adolescentes e das suas famíliais para que ambos se tornem mais autònomos no fim da jornada e menos vítima de um sistema tāo perverso que só privilegia a classe média alta muito bem representada em gênero e quesito cor".


Sabemos que o assunto é polêmico, mas carece de uma análise crítica e profunda sobre o assunto, pois afinal, direta ou indiretamente, ele nos diz respeito.

Gostaria de saber sua opiniāo. O que vocês acham?

Beijos e até o próximo post. 
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