Turbantes: O real significado na cultura brasileira

Olá, pessoal! Tudo bem? Mais um post sobre turbantes e um breve reflexão sobre seu uso.
Turbante, embora de origem persa, é uma indumentária em tecido, usada milenarmente por diversas civilizações, que consiste em amarrar uma grande faixa de tecido em volta da cabeça, em forma de torços e amarrados. O que aparentemente é visto como mais um acessório na moda, na verdade, o turbante é uma indumentária carregada de simbolismos e significados em cada cultura e que muitas são preservadas até os dias atuais.
Neste post falaremos rapidamente do uso estético do turbante, trazendo um recorte histórico e social do significado do seu uso.
Atualmente a estética negra está em voga no Brasil, pois nos Estados Unidos e outros países, por exemplo, elas estão mais tempo visibilizadas porque, certamente, à medida que a população tem conhecimento da sua história e da sua origem, tendem à estimular reflexão, consciência e ação sobre os desdobramentos que as injustiças sociais acabam por acarretar a muitos, principalmente os mais vulneráveis. No caso da população negra norte americana, tem uma clara consciência de sua história e ancestralidade e que são reproduzidas pela sociedade e que ganharam voz e eco a partir das lutas por Direitos Civis na década de 60, lideradas por Martin Luther King e Malcolm X, por exemplo. 
No Brasil este movimento está sendo construído paulatinamente e tais reflexos se dão na valorização da cor como um critério social e histórico para promoção políticas de igualdade/equidade social, a valorização do cabelo crespo e cacheado em sua naturalidade como símbolo de resgate e memória e também o resgate do uso do turbante como indumentária de beleza, mas principalmente de resistência e reconhecimento de lutas diárias por igualdade de direitos.
No contexto africano subsaariano, o turbante representa a afirmação de classe social e status, bem como, o patrimônio que simboliza suas origens, história, cultura e claro o lugar social de onde viemos. No Brasil, reforçados também pela Diáspora Africana (processo de escravidão, originário na África para países da Europa e principalmente Américas), faz do uso do turbante uma indumentária que, além da sua representatividade na moda e beleza, carrega consigo o sentimento e memória de um período histórico importante que remete a resistências, lutas e contestações por direitos iguais.
O uso do turbante hoje traz muitas discussões e algumas polêmicas sobre a intenção de quem os usam entre outros. A discussão é pertinente, pois a possível apropriação cultural por parte de alguns grupos podem, mais uma vez, banalizar e reduzir a importância e significado que estes tem para um povo e para uma cultura. Por outro lado, a tentativa de impedir o uso do turbante, pode gerar um confronto sem fim, pois muitos de nós também nos apropriamos, sem querer ou não, de aportes da cultura européia, principalmente ao que está moralmente construído, além de outros hábitos.
Eu sigo o referencial que está na minha vida e na minha alma: turbantes são adereços estéticos, usados na moda e na beleza, mas carregam consigo uma simbolo de lutas sociais, resistências histórias e carregam consigo, simbolicamnete, o sangue de muitos descendentes que morreram nos açoites para  sustento social e econômico deste país.


Independente da forma como você pensa e avalia sobre este e outros assuntos, é sempre importante lembrar que as crianças e adolescentes reproduzem o exemplo que presenciam dentro de casa, pois a família é o referencial mais forte. Mesmo não concordando, proponho que oriente estes à respeitarem às escolhas alheias, bem como valorizar aquilo que elas são ou tem.

Espero que tenham gostado do assunto. Beijos e até o próximo post. 

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