Racismo dentro de universidades? Como pode? É possível isso?


Sabemos que vivemos em uma sociedade injusta, desigual, perversa, preconceituosa e acima de tudo racista, isto é, onde há grupos que, em sua "minoria" detém certo poder de controle e manipulação de muitos, onde seu capital, influência e outros são instrumentos usados paulatinamente para atender seus interesses. Este fenômeno acontece desde a formação do mundo e é visível em qualquer parte do mundo. Afinal, ser diferente, ser estrangeiro, num lugar aonde a sociedade, a sociedade, os grupos estão pré instaurados, não é confortável compartilhar o mesmo espaço socioeconômico e político com outros.
No Brasil não é diferente. Hoje, a discriminação (prestar tratamento diferennciado a outros), o preconceito (ter idéia pré estabelecida sobre o outro) e o pior de todos os racismo (comportamento de um dado grupo/pessoa que se considera superior a outra por seu lugar de origem, etnia, raça) tem tomado larga escala e alcançando dimensões absurdas chegando até aos bancos das universidades.

O mais pasmo é acreditar que a universidade, enquanto espaço de um "saber" que conjuga as premissa do ensino, com base teóricas filosóficas, sociais, éticas e outras é possível lidar com a contradição de passar por tudo isso e praticar o racismo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Por quê professores, alunos, funcionários se fantasiam de uma coisa que, no fundo não são?

Quero trazer a tona o caso de Gabriela Monteiro, aluna do curso de Design de Moda, na PUC-Rio (universidade à qual me formei também e com muito orgulho), foi alvo de comentários negativos e maliciosos, levando à uma expressão do preconceito e racismo, por parte de duas professoras que fizeram "brincadeiras" com o estilo do seu cabelo. Gabi Monteiro, é uma mulher negra, naturalista e defende suas raízes há muito tempo.



Digo isso porque conheço Gabi Monteiro e antes do movimento de mulheres negras se apropriarem de suas verdades e resgate da sua história à partir da lógica do cabelo crespo natural, Gabi Monteiro ´já adotava esta postura há muito, não só com os fios soltos como também com o uso de maravilhosos turbantes que a mesma fazia.

Hoje o direito à expressão da identidade negra no Brasil tem sido alvo de contínuas perseguições, apresentando-se de forma violenta e repudiosa.  Precisamos exigir do legislativo a alteração da lei 7.716/89, que transforma a matéria do racismo em crime, de forma que a responsabilidade do autor(a) sejam muito mais severas e rigorosas. Do contrário, as praticas "inocentes" do racismo, escondidos por traz das brincadeiras de mau gosto, das zoações, dos trocadilhos entre outros, serão docemente acolhidas pela conduta de  "injúria racial", à qual muitos operadores do direito, acatam, descaracterizando e desqualificando aquilo que a lei trouxe em benefício da sociedade.

Tanto quanto isso, é preciso rever a lei sim, para fins de atribuir maior responsabilidades à punição educativa e reclusa do autor, mas principalmente ter tecnologias e boas vontades suficientes para alcançar os criminosos que nos atacam pela internet e sentem-se protegidos por trás da tela de um computador como verdadeiros covardes.

Disque Racismo - 156 opção 7 - é um serviço de proteção aos direitos da população negra, indígenas, nordestinas, quilombolas e outros, que são violados diariamente, mas que nem sempre encontram lugar para ecoar sua voz de dor e desconformidade com as práticas que, mesmo com todo aparato jurídico e legal, ainda estão fragilizadas e escorrem às mãos das autoridades neste país.

Beijos e até o próximo post.

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