Qual o problema do SEXO e as NEGAS???




Qual o problema do Sexo e as Negas, minissérie exibida pela Rede Globo de TV, com direção de Miguel Falabella??? Nenhuma, aparentemente... Afinal, qual a questão do SEXO, já que todo mundo tem o seu e nascemos masculino e feminino? E as NEGAS, qual é o problema? A prosódia com o palavra negra que, além ser uma identificação ao quesito cor, também remete a forma carinhosa de se referir as pessoas que amamos, sendo elas negras ou não.

De fato, não há nada demais; mas descortinando os termos e o significado separadamente veremos que há uma grave representação destas palavras e que juntas contribuem negativamente para o papel de negação do corpo de uma mulher negra, associado ao sexo barato e ao lugar de inferioridade.

Sabemos e não adianta negarmos, que no decorrer da história brasileira tivemos movimentos políticos cruéis, de apropriação do ser humano e da sua cultura, como são os casos dos índios, da exploração à dizimação e claro, dos negros, mesmo não dizimados objetivamente, somos dizimados simbolicamente, principalmente quando associam nossa imagem sempre com fatos negativos como mortes, crimes, miséria, pobreza entre outros e que estas imagens cotidianamente são ainda fortalecidas desde o período colonial à diáspora africana que no Brasil veio para sustentar a monarquia. (para mais informações, um bom livro de História nos ajudam a recuperar a memória desta triste trajetória).

Hoje em pleno século XXI, na era da tecnologia, informática, do cientificismo, bioética e outros, ainda vivemos as consequências duríssimas que estes movimentos trouxeram para a história da formação do povo brasileiro: negação das culturas indígena e africanas, a dizimação (se compararmos o número de antes, veremos que as tribos não cresceram no decorrer da história) e claro dos negros e seus descendentes onde continuamos sendo a base da pirâmide social e econômica neste país.

Claro que o assunto neste post não é (re)contar a história brasileira, mas resgatar para compreensão de certos conceitos preementes em nossa sociedade e que, aos olhos nus não tem nada demais, mas que, analisando profundamente há um forte e perverso apelo da mídia e outras fontes ao exercício equivocado da sexualidade das mulheres, em especial das mulheres negras neste país.

No caso da minissérie Sexo e as Negas é um claro e bom exemplo  de como a mídia e a sociedade ainda nos vêem: negam a dignidade da mulher branca, negra, indígena e amarela a papéis estereotipados, mas que, em especial, há um "bucha" para ser sempre o idiota da côrte. Não entendo o por quê, mas estes são sempre ligados as mulheres e homens negros. Este olhar se dá, cotidianamente, quando a mídia traz a tona e reforça de forma negativa sobre o lugar e o comportamento que a cultura negra e seus movimentos se expressam na sociedade brasileira. O uso do corpo como um gingado bonito na capoeira, no samba, no jongo acabam tendo uma interpretação da sensualidade e consequentemente da promiscuidade que nossos corpos tem sido alvo de interpretações equivocadas sobre o nosso ser e estar no mundo.

Claro que estas cosmovisões não são gratuitas, mas são construídas por anos de exclusão social, desde a abolição com a negação da liberdade, do lugar digno para se viver e morar, com a ausência da educação, saúde, saneamento básico e ambiental e outros espaços institucionalizados de garantias de direitos à qual o Estado é obrigado a prover e fecha os olhos para esta realidade.

Com o reforço da lógica atribuída ao sexo e as negas/negras é a clara associação de que a mulher negra deve continuar no espaço e na continuidade do lugar pauperizado, precário e inferiorizado, promíscuo e barato. Afinal, "a carne mais barata do mercado é a carne negra", e o uso dos corpo negros vistos por esta lentes são veículo para o prazer e sustento e de outras associações pejorativas estão sempre associados a MULHER e principalmente as MULHERES NEGRAS.

Por mais que houvesse a boa intenção da emissora em construir uma série que nos representassem e que trouxessem a arena social a visibilidade da mulher negra, acabou errando feio e reforçando a continuidade do lugar da exclusão, da negação, da ausênia do acesso e de se construir como pessoa humana.

Por isso precisamos agir e reagir e DIZER NÃO a qualquer tipo de movimento que tentam negar nossa condição como ser humano,de  pessoa, de mulher entre outros e lutarmos para desmistificarmos e mostrarmos que todos os lugares na sociedade como da socialitte, da advogada, da juíza, da médica, da engenheira, da astronauta também podem ser apropriados pela mulher negra.

Fica a reflexão para pensarmos, refletirmos, nos conscientizarmos e agirmos de forma igualitária que o nosso lugar não é aonde a sociedade burguesa nos colocam e sim aonde nossos sonhos e possibilidades de construções reais, com acesso aos direitos, nos levam à nos colocarmos.

 Um forte abraço e até o próximo post.
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12 comentários:

  1. Eu vim aqui da o meu depoimento, minha opinião.
    Eu sua mulher sou negra vi a minissérie e sinceramente não me ofendeu nem me agrediu em nenhum termo, porque eu sou muito bem resolvida comigo mesma e sei do meu caráter então isso não me ofende, acho uma grande besteira com tantas coisas tão importante no mundo estarem todos preocupado com “ O Sexo e as negas " as replesentarem.
    Todos nós sabemos o que é sexo, praticamos e vamos ser hipócritas porque há uma minissérie?

    Mas amor, compaixão, humildade, honestidade e menos mimimi.

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  2. Anônimo,

    Com certeza há assuntos muito mais importantes na agenda mundial para serem discutidos e debatido e o racismo é um deles. Não digo, neste momento, do racismo radical, mas de pequenos gestos nos dia a dia que tentam nos inferiorizar e contribuir para que achemos natural o modo de ver e pensar sobre a vida das mulheres negras e, consequentemente o domínio sobre nossos corpos.

    Daqui há um tempo, se é que este tempo não é agora, acharemos natural mulheres negras serem maioria fora do mercado de trabalho, serem maioria à residir em condições de pauperização e miséria. Daqui a pouco acharemos comuns jovens negros na faixa de 15 a 24 anos, por serem moradoras da periferia, serem associados ao banditismo entre outras mazelas.

    São nestes microespaços que o racismo cria suas raízes e quando chega em um nível macro, a gente não consegue identificar. Sobre a minissérie, deveria ser sim uma bobagem, mas sempre banalizar a imagem da mulher negra brasileira e latina, atribuindo à promiscuidade e ao sexo pelo sexo, é um clássico review de Casa Grande e Senzala.

    Beijos e muito obrigada

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  3. MA RA VI LHO SOOO!!!lindo texto...amei.. Infelizmente ainda há um preconceito e racismo sim, mas de uma forma manipulada pela globo, mas só mostram o brilho! E qm nao estuda e nao firma seus ideais ficam como marionetes!! ..Te lovu Criloura.. amo seus textos, videos(vejo sempre 😁) e dicas ❤💎 Deus continue te abençoando!! bjbj😘👏👏

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  4. Achei que fosse que o nome tivesse sido apenas inspirado em "Sexy and City"... "O sexo e a Cidade"... porém com uma abordagem voltada para as negras.

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  5. Magaly Teles,

    Muito obrigada. Penso no blog como nosso espaço para discutir beleza, estética, mas principalmente inclusão e política, já que a questão da beleza negra não está isolada em nossa sociedade. Por trás do possível acesso, há várias coisas juntas....
    A Rede Globo não é a única a promover o racismo, enquanto ato de um pseudo poder se colocar sobre o outro. Ela reforça isso juntamente com outros espaços de suas organizações como revistas e há outros que veemente concordam com isso como a Folha de São Paulo, Revista Veja entre outros espaços da mídia e publicitários. Nosso compromisso que andamos alguns passos no entendimento desta democracia é, minimamente, compartilhar nossos pontos de vista e ajudar no desenvolvimento do pensar crítico para outras pessoas despertarem também. Muito obrigada pelo carinho.

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  6. Dicas by Gabyzinha,

    A idéia é esta abordagem de fazer um paralelo, com base no seriado americano Sexy and the City, sobre o Sexo e a Cidade. A questão é como isso está sendo construído. Pelo que vejo, todas as negras são da periferia. Para que houvesse esta idéia de sexo enquanto feminino, teria que haver claramente a questão racial, apontando ser mulheres negras neste contexto e um outro é a abordagem de classe social, não apenas as negras pobres, mas as de classe média e as ricas também e claro a abordagem de gênero (masculino e feminino), onde as mulheres que se autodeclarem como lésbicas pudessem ser contempladas entre outras como deficientes e etc. Esta sim seria a idéia central de pensar o Sexo (feminino), Raça (Negra), Gênero (Mulher/Homem) e classe Social (pobres, classe média e ricos).

    Beijos

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  7. Oi meninas,
    Concordo que o racismo está ai pra quem quer que, eu amanheço com o racismo em minha porta, ando com ele ao meu lado.
    Moro próximo a algumas comunidades, e por isso digo, sou mulher, sou negra é digo “ O Sexo e as Negas " não me representa e nem me afeta, porque quem realmente quer vai embusca do seu não fica sendo induzido pela televisão, não existe essa .
    A minissérie está ai vem quem quer e se não quer desliga a televisão, agora to vendo muita gente indo na “ modinha" do “ sexo e as negas não me representa " mas quando chegou na terça-feira depois do tapas e beijos caindo de rir no sofá do sexo e as negas, o preconceito começa nas pessoas ignorantes e terminam na modinha, aposto que se o nome fosse o “ sexo e as brancas" as mulheres negras iriam falar q não tinha nenhuma negra que era um ato de racismo.

    O racismo é evidente ao negro mas há racismo com Branco, ruivo, cafuso, japonês, chineses , etc...

    Mas sabe o porquê? Porque tudo que é diferente se torna racismo para todos.

    Sexo e as negas não me representa não me afeta, Digo não ao racismo Dr cor, religião, nacionalidade e ao racismo de estereótipo !

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    1. Me desculpe Fernnandah, minha intenção não é ofender mas essa é a minha opinião.

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  8. Penso exatamente como vc Fernanda! Parabéns pelas palavras! Beijos ótima semana pra vc!!!

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Fico pensando nas meninas e adolescentes negras que só veem a sua cor representada na mídia no papel de empregada ou escrava, ou sambista. Sem desmerecer a profissão de doméstica, mas porque quando vemos negras nas novelas e minisséries elas não são bem sucedidas? Não existe mulher negra juíza? Advogada? Delegada? Médica? Bióloga? Professora! Etc. A mulher negra não vai a faculdade? Não tem acesso ao ensino superior? Como fica a cabeçinha dessas crianças em que o modelo de beleza imposto a elas desde que nascem são as "Barbies" loiras, de olhos claros, cabelos lisos, magras, pele branca. O que é mostrado na mídia, que faz a criança e o adolescente negro ter orgulho da sua raça? Qual exemplo é dado a ele? Por isso não consigo concordar com pessoas que dizem "Ah eu assisto e não me ofende, não tem nada demais" porque não fizeram um seriado com mulheres negras de diversas classes sociais? Pq nenhuma é bem sucedida financeiramente ou ocupa um cargo de destaque? Vamos abrir nossos olhos, nessa história de "não tem nada demais" nossas crianças sofrem desde pequenas, não se aceitam como são, não gostam do seu cabelo crespo, da sua pele escura, do seu lábio grosso, pq quando vamos à loja 90% das bonecas são loiras, magras de cabelo liso, quando ligamos a tv as protagonista e as famílias ricas e de prestígio são sempre brancas, quando abrimos a revista vemos as Giseles Bundchens, quando vemos um comercial de shampoo vemos cabelos lisos de brilho espelhado. E desde cedo é jogado deliberadamente em nossa mente o que é "bonito" e nenhuma característica nossa se enquadra dentro desse padrão. Então o que nós sómos?

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