#Indignada: MACACOS = RACISMOS X BANANAS = PESSOAS

               
                Ninguém é macaco. Somos seres humanos e cada grupo humano tem sua peculiaridade.



Refletindo sobre o burburinho desta semana na mídia e fora dela é a campanha da banana para o racismo, protagonizado pelo jogador Neymar e demais estrelas globais e de outras constelações aderindo a uma campanha anti-racista, mas que no fundo, reforça o estereótipo do racismo afirmando-o em seus mitos e culturas.

Para mim, questão do racismo e do preconceito no Brasil está cada dia mais latente e assustadora. Não há muito pra onde correr, à não sermos nos mobilizarmos e irmos contra o que está sendo posto como certo e aceitável para tentar "docilizar" a manobra do preconceito e continuar fortalecendo a discriminação. . O caso da Arielle, já é reincidente com o apresentador global: outrora ele agiu em fala semelhante ao cabelo da Ivy Pizzoti. Ambas sustentaram seus argumentos frágeis em defesa do "agressor" porque sabemos mais frágil é o espaço do palco e da visibilidade em que elas se encontram e jamais poderão falar ou expor o que sentem frente ao ocorrido sob pena de serem delsligadas.

No caso da campanha em que Neimar protagoniza contra o racismo, acaba por reforça-lo ainda mais, já que um dos viés para a configuração do racismo é comparar negros à macacos, isto é, a animais inferiores. Penso que enquanto movimento negro deveríamos provocar o Ministério Público para avaliação legal deste tipo de peça publicitária. Além disso, temos o CONAR (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária) em que podemos denunciá-los pelo teor e significado destas peças, que mais reforçam a exclusão do que propriamente o fim de uma atitude criminosa.

O caso Lupita é um dos mais doloridos. Ser eleita garota-propaganda da Lâncome e agora sendo preterida por parte deste público por ter sido eleita a mulher mais bonita de acordo com a revista People, provocou reações adversas e ataques racistas objetivos e subjetivos por estes que não concordam que uma mulher negra - lê-se a negra do tipo pigmentada e não visibilizada como tal pelo grande público- pudesse ocupar este espaço. É nestes momentos em que as máscaras caem e o racismo aparece. Daí vemos que nós negros brasileiros não estamos sozinhos neste contexto. A diferença é que o racismo no Brasil é considerado como "brincadeira de mau gosto" e no Estados Unidos é "coisa séria" e tem penalidades para seus autores, já que o racismo/preconceito/discriminação é coisa pensada por quem faz.

"Narciso considerado feio aquilo que não é espelho" frase que Caetano Veloso cita em Sampa, verso de uma música que fala da dinâmica de uma metrópole brasileira, palco do reforço à exclusão de negros, pois para os racistas/narcisos o feio (o negro) é considerado assim porque consegue vê-lo como um igual, mas como um inferior.

O espaço que as mídias digitais nos oferecem é o espaço primordial para reflexão, consciência, mobilização e ação destas e de outras questões que, de forma direta e indireta, afetam nosso estilo de vida e acabam por inibir nosso direito à expressão. Afinal, quem não lembra dos casos Marina Silva, Thayna Trindade e Vinicios Romão que foram interpelados por usarem seus cabelos crespos natural?

Precismos sermos mais nós do que os outros hoje. Precisamos sermos um só, indiferente das nossas diferenças.


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