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Por que se asssumir é tão difícil?

Olá pessoal! Tudo bem? O post traz uma pequena reflexão após ler a matéria divulgada pelo Jornal Extra, onde a bailarina do Faustão Ivy Pizzot fala sobre a dificuldade na transição dos seus cabelos e claro na aceitação da sociedade pela forma dos seus cabelos.

 Acredito que assim como Ivy existem milhares de homens e mulheres que, uma vez assumindo seus cabelos crespos e cacheados, passam ser vítimas do preconceito social e da discriminação. Vocês devem se perguntar: "Aonde tem isso no Brasil?".

Aonde? Dentro da gente mesmo, pois o preconceito é a idéia pré-concebida de algo/alguém antes não conhecido e a discriminação é o ato de separar, distinguir, dar privilégiosa um em detrimento de outro.



A sociedade, no decorrer da sua história (sim, porque a história é dinâmica) ela cria modelos  para servirem de padrão à um determinado seguimento e que os demais devem seguí-los para serem considerados "aceitos". No Brasil, mesmo após séculos ainda perdura, por exemplo, o padrão do cabelo liso impecável  no imaginário social, dificultando o diálogo, o respeito, a aceitação e a abertura de outros referenciais como os cabelos crespos, cacheados ondulados e outros. Essa barreira é reforçada pela indústria cosmética que, em sua grande maioria, desenvolvem produtos para este determinado público, desconsiderando os outros como uma grande campo de possibilidades.

Você deve perguntar aonde que isso acontece que você não consegue perceber, né? Na TV, nas revistas, nos programas televisivos, nas empresas que desenvolvem cosméticos e em nós mesmos, na condição de consumidores e reprodutores deste modelo que acabamos por reforçar esta lógica na sociedade.

Não estou dizendo que todos são obrigados à assumir seus cabelos crespos e cacheados. Cada um é responsável por suas escolhas e devem como tal, assumir também seus ônus e bônus. O que venho trazer é uma reflexão sobre o que nos é imposto como certo, como padrão e desconsiderar nossa escolha em usar o cabelo como desejar.

A força do cabelo crespo ganha ícone em movimentos sociais como nos Estados Unidos, nas décadas de 60 e 70, o movimento Black Power, teve como objetivo a projeção da imagem de negro ao poder, isto é, nas esferas de mando e desmando para ter o direito de poder criar seus modelos de referências e serem respeitados. Este movimento não foi estético, mas sim político e cultural, pois buscava promover a autonomia, visibilidade e inserção do negro nas esferas públicas e privadas para atender aos interesses do coletivo.

No Brasil, os movimentos sociais pelo respeito aos negros, como indivíduos e cidadãos, surgem desde o Brasil Império e perduram até hoje. O objetivo é o reconhecimento político, cultural, religioso e claro estético (no sentido de negar os modelos impostos e valorizar a diversidade). Nós estamos nesta luta e não temos como dissociar uma coisa da outra.

Portanto seja com cabelos crespos naturais ou quimicamente tratados, temos em nossa gênese um processo histórico e social de lutas pela aceitação e respeito da sociedade por aquilo que é pertinente à nossa condição. Só iremos vencer esta barreira do preconceito e da discriminação juntos, de mãos dadas, em prol de um objetivo em comum.


Beijos e até o próximo post.



7 Crilouras Comentaram:

crespa cacheada e feliz disse...

achei o cabelo dela tao lindo! o meu parece um pouco com o dela, ainda estou em processo de transiçao. confesso que dá vontade de relaxar mas tenho procurado nao ceder a tentaçao. por isso criei um blog http://cantinhodoscachinhos.blogspot.com.br/ e tem me ajudado bastante.

Fabiane Agapito disse...

Você falou tudo!!! Eu mesma estou nesse processo de auto-aceitação e de mudança. Estou querendo deixar o alisamento e passar a utilizar o cabelo natural, mas é muito difícil até porque a própria família não dá muito apoio.

Bjos Fernanda e parabéns pelo post!!!!

Anônimo disse...

Realmente é muito dificil,as pessoas se sentem incomodadas qndo veem uma mulher de cabelo crespo,até a nossa propria familia nos critica.Eu usei black power duante 9 meses e gostei muito mas as pessoas me imploravam para alisar os cabelos,porem isso me da a mais vontade de ficar com meu black.Hoje estou numa outra faze da minha vida e relaxei meus cabelos,mas ñ abri mão dos cachos e qndo quero dou 1 garfada e uso black,goste quem gostar!

Fernnandah Criloura disse...

Crespa Cacheada e feliz,

Que ótimo. Neste movimento de fazer ou não fazer, o mais indicado é persistir em sua escolha, ser feliz sem jamais criticar o outro que volta atrás ou continua no mesmo caminho.

Beijos

Fernnandah Criloura disse...

Fabiane,

POis é, amada. Esta é uma decisão delicada que só a ti pertence. Se desejar fazer isso, terá que mostrar o quanto é forte e determinada para levar até o fim sua escolha.

Fernnandah Criloura disse...

Anônimo,

Infelizmente a gente tem dificuldades em ser aceito por nossas escolhas, porque no Brasil temos a cultura da não autonomia e do não respeito às escolhas alheias. É realmente necessário se impor para ser aceito e respeitado.

Lidia disse...

Oi!
Meu cabelo é um pouco cacheadinho,mas é muito ralo quando passo relaxamento fica mais ralo ainda e ele está muito curto ai fica estranho eu queria saber se tem alguma técnica para deixar o cabelo mais cheio ou produto qualquer coisa que de mais volume a ele, atualmente estou usando implante eu notei que ele fez meu cabelo encher, mas já estou me preparando porque ano que vem vou tirar então eu procuro achar produtos que sirvam para o meu cabelo afro eu queria saber se você tem uma dica pra mim?! beiijão obrigada pela atenção ;)

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