Seu cabelo é RUIM?

Vamos refletir?

 O que é o seu cabelo? 

Não é aquele que nasceu com você e é seu? 

Por quê você acha ele RUIM? 

Você é RUIM?

A bíblia traz uma análise interessante que diz muito à respeito de como a gente se vê e também vê o mundo:
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"São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas." Mateus 6:22-23

Em outras palavras, a idéia de bom e ruim está ligado, diretamente, a forma como a gente se vê e vê ao nosso redor.

Vivemos em uma sociedade que dita cultura, valores, tendências e a forma de ver e pensar sobre o outro que é diferente daquilo que se tem como referência. Há séculos este pensamento tem a lógica de que o cabelo liso como é o ideal de exemplo à ser seguido por todas e todos, em detrimento dos cabelos crespos e cacheados. Nesta concepção, ter cabelo crespos ou cacheados, é sinal de desleixo e sujeira e não de escolha da pessoa.

Pasmem mas, ainda hoje, há pessoas e até celebridades que, declaradamente, pensam e diz assim sobre nossas escolhas e valores.  Logo, ser/estar "natural", por opção,  tornou-se sinônimo de ausência de amor próprio e desleixo com sua aparência e com a vida.

Com tudo isso, penso que nós mulheres e homens precisamos nos amar sim, mas principalmente amar e aceitar o que somos e o que temos.
Esta reflexão me veio após ler emails e algumas mensagens onde o adjetivo "cabelo duro", "cabelo ruim" "cabelo rebelde" se repete várias vezes e daí penso comigo: "Meu Deus, se esta pessoa pensa isso sobre seu cabelo, pensa também sobre si mesmo e sobre sua vida, pois seu cabelo faz parte do seu corpo?"

Claro que ninguém está obrigado à se conformar com aquilo que a natureza lhe deu. Todos nós temos direito à escolhas, entre elas de decidir se quer usar suas madeixas de forma natural, alisadas, quimicamente tratadas, tinturadas, (da qual eu mesma sou uma à usar e fazer) enfim...a questão não é esta. A questão é refletirmos como a gente pensa à nosso próprio respeito e como a gente transmite isso para outras pessoas.




Em outras palavras, não existe cabelo bom ou ruim. Existe cabelos crespos, cacheados, lisos, ondulados, secos, normais. Agora, existe sim a forma como a gente vê, entende, sente e aceita (ou não) nossos cabelos. Repito: dizer se é bom ou mal é julgamento de valor e a gente julga a gente mesmo.

Como diz o cabelereiro Fernando Fernandes, muitas vezes a dificuldade na aceitação do que temos e o que somos está ligado a não orientação/informação de como lidar com isso. Acredito que muitos homens e mulheres tem estas referências sobre si, porque não sabem ainda como lidar com à peculiaridade dos seus cabelos. Depois que aprender, irá amá-los e respeitá-los.

 Vale lembrar que: aceitando o que tenho, respeito o que sou.

Tudo bem que, muitas vezes, tendemos à dizer mal de algo que a gente não tem compreensão sobre lidar com ele. O cabelereiro Fernando Fernandes trouxe isso em um vídeo que apresentei no Criloura: a ausência de informação (conteúdo) e de comunicação (transmissão da mensagem) acabam por distorcer a forma como me vejo e a forma como lido com minhas dificuldades. Isso não quer dizer que seja, na sua essência, bom ou ruim.



Segue o vídeo que o cabelereiro Fernando Fernandes explica sobre os diversos tipos de cabelos crespos e cacheados e as formas de lidar com eles em seu dia-a-dia.

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre isso? O que vocês acham?

Beijos e até o próximo post.
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13 comentários:

  1. ótimo post, Fer! sempre fiquei possessa ao ouvir "cabelo ruim", "cabelo duro",e outros termos pejorativos. triste viver numa sociedade em ha um excesso de regras, e de tentativa de padronizar o q seria o certo. cabelo liso é o certo? q absurdo!

    bj da Aline Jansen

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  2. Vc é perfeita em suas colocações. Passei a vida ouvindo que tinha cabelo ruim, e o pior, dentro de casa. Nunca aceitei isso e nunca repeti. Não sabia como cuidar e depois que aprendi me amo cada vez mais por causa do cabelo.

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  3. Nanda,
    Toda vez que uma amiga fala: meu cabelo é ruim e digo que Deus nao fez nada ruim !
    e acrescento: ruim mesmo seria nao ter cabelo !
    Porque a gente fala que o cabelo é ruim , mas nao fala que as pernas , os bracos , os olhos..são ruins tambem? é tudo nosso corpo..tudo nossas caracteristicas!!!

    Bjokas

    Neide
    www.feellingood.com.br

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  4. Parabéns...
    Está lindo o post, fala tudo,tudo mesmo que precisava ler hoje .

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  5. Oi Fê...tempos que não posto nadinha por aqui...lindo post...estou em paz com meus cabelos...este ano quero me tornar uma criloura tb...rsrs...quero dar uma clareada nos cabelos...acho lindo!!!bj!!

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  6. Isso é reflexo da cultura que temos no Brasil. É muito dificil aceitar a origem africana e levar o cabelo natural, sem passar por algum problema. Eu passei por varios, foram tantos que ja perdi a conta e alguns foram tao serios, que tive que ir a Delegacia.
    Vivemos em uma terra preconceituosa e muito racista. Os que nascem com a pele um pouco mais branca e com o cabelo anelado, já dizem que nao tem mistura de negro, quando a realidade é outra.
    Tem que se deixar claro, que a origem do homem começou na Africa e querendo ou nao querendo, todos neste planeta, tem algum ponto em comum con o homem primitivo que ali viveu.
    Outra coisa importante, o negro deve assumir o que tem, mas mais que assumir, impor seu direito de ir y vir, podendo escolher o que lhe fica melhor. Na Europa, é mais normal levar o cabelo natural e a cobrança é muito menor, aunque haja muito racismo também.
    Parece raro dizer isso, mas parece que os negros sao mutantes e o resto normal.
    Pois nada bonitas, que cada uma assuma seus cabelos como for melhor e que sejam felizes.

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  7. Aline Jansen,

    Obrigada nega. Mais do que este adjetivo estar na boca dos não-negros é perceber que nós, em algum momento, reproduzimos isso sem saber que estamos indo contra nós mesmo e nossa identidade.

    Beijos e obrigada

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  8. Helena,

    Obrigada. Hoje somos de uma geração que podemos desconstruir muitas coisas ruins que falavam à cerca de nós mesmos. Muitas coisas nossas mães, tias e avós reproduziam (e algumas ainda reproduzem) fruto da ausência de conhecimento e consciência sobre si mesmo.

    Beijos e obrigada

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  9. Miss Felling Good,

    Isso é uma verdade. Achamos apenas um ponto ruim para criticar, enquanto o restante aceitamos e nos conformamos sem mencionarmos em nossas críticas.

    Beijos e obrigada

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  10. Kelly Lopes,

    Que bom! Fico feliz em saber que o mesmo foi útil para ti. Beijos

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  11. Simone Sousa,

    Que bom. Nada melhor do que está em paz com a gente mesmo, longe da guerra de querer ser como o outro é e ter o que o outro tem. Beijos e continue assim.

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  12. Anônimo,

    Pena que você não deixou seu nome, mas sua reflexão foi belíssima, tanto quanto das outras leitoras que escreveram e que também refletiram sobre esta questão, mas não se manifestaram.

    Quando falo de historicidade está justamente incluíndo nossa origem africana sim e principalmente, toda a identidade que revela isso, entre elas a questão do cabelo.

    No Brasil, como sempre menciono, vivemos uma realidade e ainda hoje a lógica de uma colônia de exploração do século XVIII. Muito diferente da realidade (em matéria de formação de cultura, realidade e consciência) do que os negros americanos e quem sabe dos europeus.

    Estamos, aos poucos, nos alforriando da escravidão dos padrões que os outros ditam que devem ser e fazer. E a gente só consegue avançar quando a gente aprende sobre nossa história, nossas raízes, nossa identidade. Isso é importantíssimo preservar.

    Muito obrigada por sua opinião.

    Beijos

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  13. Olá, meu nome é Fabiane, fiz permanente afro no meu cabelo com uma profissional que acredito ser leiga no assunto, pois meus cachos não ficaram definidos e o volume dos meus cabelos voltou logo que ele secou. Acredito que isso aconteceu porque ela só relaxou a raiz e não o cabelo todo. Pois bem, gostaria de saber quando poderei fazer novamente em todo o cabelo e ter REALMENTE cachos definidos mesmo depois de o cabelo estar seco. Desde já agradeço e aguardo sua resposta.

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