Consciência Negra? Para quê e Para quem?

Olá, pessoal! Tudo bem? Hoje domingo, dia 20 de novembro e na capital carioca, é feriado referente ao Dia da Consciência Negra. Vocês deve se perguntar: Mas, porque um dia da consciência negra se vivemos em plena democracia e igualdade entre homens e mulheres, independente de sua cor e raça?

Pois é, em teoria isso é fato, mas na prática, sabemos que não é assim. A distância, através das desigualdades sociais e econômicas que aparecem através da discriminação e do preconceito com relação a pessoa de pele preta, ainda são alarmantes em nosso país. Por isso, um dia para o resgaste histórico da formação do povo brasileiro e também refletir sobre esta realidade e construir caminhos para que possamos caminhar enquanto povo e nação.


 Neste momento, trago um brevíssimo histórico, sem pretensões ideológicas, sobre a justificativa em termos no calendário brasileiro uma agenda com o intuito de se refletir e dialogar sobre às questões sociais que ainda envolvem a população negra no Brasil.

യ O que é?

    O dia da Consciência Negra é um dia dedicado à reflexão histórica e seus desdobramentos nos dias de hoje sobre a realidade social do negro, que em pleno século XXI ainda carece da reinvindicação política como um direito ao reconhecimento e aceitação dos seus valores étnicos, culturais, históricos que a sociedade acaba por desconhecimento ou ignorância ( no sentido de ignorar mesmo) nos alijando do direito à participação justa e igualitária.

യ Por quê desta data?

Esta data foi escolhida em relevância a morte do líder Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695. Historicamente a luta pela inclusão e respeito que Zumbi levantou à favor da população daquela época é muito parecida pela luta de inclusão, respeito e reconhecimento que se tem hoje em favor da população negra.

യ Quem foi?

Zumbi foi um líder escravo, alagoano e aculturado* pelo poder colonial, se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta pela defesa dos direitos da população escrava. Teve suas  habilidades reconhecidas pelo poder colonial que tentou afirmar ideologicamente sua cultura à Zumbi, fazendo-o negar suas origens. O Quilombo dos Palmares foi local de refúgio estratégico(ainda existente em Pernambuco) de escravos fugitivos que negavam a opressão colonial à escravidão. Zumbi se tornou o representante na defesa desta causa, sendo morto em combate em 1665 pela tentativa de igualdade entre os povos (escravos e colonos).

യ Por quê deste dia na atual sociedade?

 Portanto, o Dia da Consciência Negra foi criado no intuito de refletir e estimular a consciência de negros e não-negros de que as diferenças pela cor da pele e os valores culturas que cada povo carrega consigo são partes integrantes e imprescindíveis à formação do povo brasileiro formado por homens e mulheres.  Não há ninguém maior e nem melhor num contexto democrático e de igualdade: "Somos todos iguais perante a lei". O que nos diferenciam são às questões sociais e econômicas e que hoje tais desigualdades precisam ser reparadas de alguma forma.

 Como a realidade é bem diferente, onde o preconceito e a discriminação ainda precisam ter força da lei para coibir atos de racismos,seja por parte das pessoas ou de instituições, este dia tem real importância para fortalecer os diálogos e quebrar cadeias que separam e dividem as pessoas por sua cor da pele e condição social. Somos povo único, formado por muitos povos e culturas. Somos cidadãos livres com direito à expressão, valorização e aceitação da nossa cultura nos mais variados aspectos.

 യ Dia de Consciência Negra na Beleza:


  Com todos os avanços tecnológicos na industria cosmética, ainda há lacunas que precisam ser pensadas e refletidas para o público consumidor negro, no acesso ao desenvolvimento de produtos e serviços que possam valorizar e contemplar às necessidades reais estéticas e cosméticas para mulheres e homens de pele preta. 

Com todas as proposições existentes à adaptação do desenvolvimento de produtos e serviços ao mercado consumidor que possui pele negra, ainda temos um modelo europeu vigente de padrão de beleza que, dentro e fora das passarelas, comerciais de tv e capas de revistas, ainda são marcos referências universais, desprezando, sobremodo,a valorização da beleza negra como um padrão estético de beleza e higiene neste mesmo aspecto universal. Observando pelo aspecto filosófico a estética está ligada ao estudo da natureza do belo e das artes. 


Immanuel Kant afirma que "o belo, é tudo quanto agrada desinteressadamente".

Dentro desta reflexão kantiana, pode-se compreender que ainda há um certo desinteresse no interesse desinteressante sobre a beleza negra. Mas o mesmo ainda afirma que "Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço". Portanto, façamos a nossa parte!

Desta forma, acredito que o blog e o canal Criloura, tem a sua pequena contribuição a oferecer assim como milhares de outros blogs que tem surgido sobre esta perspectiva da valorização da mulher e do homem negro no aspecto da moda, da estética e da beleza.

യ Consciência Negra na mídia:

 Mesmo com um quantitativo estatístico pelo IBGE de uma população de pretos e pardos que somam 54%, se observarmos o número de artistas negros da mídia em geral, percebemos que estes ainda são escassos.
Grandes nomes como Zezé Mota, Léa Garcia, Ruth de Souza, Isaura Bruno, Chica Xavier entre outros artistas, acabam se tornando esquecídos pela mídia e só relembrados quando se aborda personagens históricos remetidos à escravidão ou mesmo para papéis como empregados domésticos.


Hoje, outros atores foram surgindo e dinamizando o papel do negro na dramaturgia brasileira, dando-lhes papel de enfoque e até como personagens principais, entre eles: Camila Pitanga, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Sheron Menezes, Isabel Fillardis,Thalma de Freitas entre outros.


 Na música, Milton Nascimento, Paula Lima, Zezé Mota, Jair Rodrigues, Negra Li, Vanessa da Mata, Preta Gil, Gilberto Gil, Ivone Lara entre outros.




യ Conclusão:

 Com todo o arcabouço histórico, político e social que constroi nossa caminhada como ser, pessoal e indivíduo na sociedade, não podemos tê-los apenas como um espelho e pensarmos em caminhos e soluções com base daquele momento histórico. Estes, precisam ser referenciais para pensarmos em ações, comportamentos, políticas e lutas a favor da igualdade e valorização da pessoa de pele negra e que tais reinvindicações possam ser analisadas com seriedade pela sociedade civil e pelo Estado à favor da população negra. Temos grandes nós que precisam ser desatados e somente com o viés da ação social (concepção weberiana) e da solidariedade (concepção durkheimiana) podemos avançar e atingirmos (quem sabe?) um nirvana socioeconômico e pôr um fim às desigualdades sociais que nos cercam.

A  Conciência negra precisa ser um instrumento de levar a uma atitude de  igualdade social que certamente combaterá a violência e apontará caminhos de paz porque “a paz é fruto da justiça” e enquanto não houver justiça não haverá paz. Enquanto houver um cidadão brasileiro valendo mais do que outro por sua cor de pele ou por sua condição financeira a democracia não estará consolidada e a República ameaçada.



Portanto, ter Consciência Negra é ter consciência do meu valor como ser, pessoa e indivíduo na sociedade e no mundo. Valorizar-me como mulher e homem, como cidadão que contribuiu e contribui significativamente na construção da história do Brasil; é ter consciência da minha importância para mudanças significativas e duradouras, relevantes mesmo, na construção e consolidação deste país; é estar disposto(a) a quebrar às correntes que nos prendem nos porões negreiros da baixa auto-estima lançando mão da nossa Carta de Alforria Emocional; é ser capaz de celebrar com alegria as conquistas de outros negros e negras, tomando-os como exemplo para que façamos o mesmo; é ter a coragem de se impor e se valorizar diante de determinados "modelos de referenciais de beleza" é ainda ter memória histórica e uma pré-disposição incansável e indesistível em desenvolver e consolidar uma nova história. Uma história inclusiva, onde negros e não-negros sejam vistos e reconhecidos de iguais forma, não pela cor da pele, mas por sua capacidade, inteligência e talento. Precisamos ser conscientes e transformar a história!



 Beijos e até o próximo post.
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11 comentários:

  1. Olá flor passando pra conhece seu blog , e adorei tudo vc esta de parabéns estou seguindo vou adora ter vc no meu blog beijos flor..

    http://rosanadicasfemininas.blogspot.com/

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  2. ... Viva a nossa Beleza!!!, sempre gostei de mim!, sempre fui bela pra mim!, e depois q te conheci, estou me amando mais ainda!! suas mensagens, sua coragem e ousadia de eu sou e posso muito mais do que esperam de mim, é muito pura e se reflete em nossos corações.Acreidto q muitas mulheres passaram a se respeitar enquanto negras, com o teu carinho de auto-estima... dali Zumbi..bei_JÔ_cass

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  3. Ola!lindo esse post! negro é belo, negro é força, negro é luta!
    PS: não sou racista, até porque não poderia ser porque meu pai é branco; sou apenas consciente sobre a realidade do mundo em que vivemos.
    beijos

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  4. Parabéns pela iniciativa! Adorei o post!

    Grande bju!

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  5. Olá Fernanda, sou leitora assídua do seu blog. Não gosto muito de deixar comentários, mas este post não poderia deixar passar batido. Muito bem escrito, vc fala muito bem das desigualdades e da forma como ainda somos escravos do padrão de beleza europeu. Ainda bem que que existem pessoas como vc, que através do blog se torna exemplo pra muitas outras pessoas negras a se libertarem, se amarem e se respeitarem de verdade. Continue transmitindo essa mensagem pra todas as negras e crilouras do Brasil. E viva o dia da consciencia negra!

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  6. Dicas Femininas,

    Obrigada pelo carinho. Pode deixar que assim que puder, faço uma visita ao seu blog. Beijos!

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  7. Jô_Alexandre,

    Muito obrigada! Fico feliz que tenha conseguido este espaço em sua vida. Fico mais feliz em saber que o blog tem conseguido refletir esta áurea de beleza e auto estima a nós mulheres negras, sem ter medo de sermos quem somos, acima de tudo.

    Beijos!

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  8. Regina,

    Isso aí, amiga. Temos que olhar para nós mesmas e buscarmos refúgio de força e beleza à nossa raça como estratégia de encorajamento à discriminhação e preconceito. Beijos!

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  9. Marina Marques,

    Muito obrigada, irmã. O caminho é este mesmo: consciência do que somos e quem somos neste universo, onde a centralização do poder ainda se encontra nas mãos de uma minoria que dita ordens e regras ao mercado. Temos que vencer essa barreira nos qualificando e nos capacitando para lutarmos de igual para igual.

    Beijos!

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