Negras na moda e na mídia internacional.


Em pleno século XXI, na era da contemporaneidade, ainda nos debatemos com dilemas que já não deveriam fazer parte do nosso cenário social brasileiro, uma vez que, vivemos em plena democracia no sentido político e também racial.
Pode parecer para alguns um discurso clichê, mas com todos os avanços e tentativas de inclusões de mulheres e homens negros no espaço da mídia brasileira, ainda são escassos os resultados. Isto se torna notório quando ligamos a tv e observanmos os contextos de moda, beleza e comportamento,  através de comerciais, capas de revistas, desfiles de moda ou mesmo papéis em filmes e novelas como a participação de negras e negros ainda é inviabilizado.

 Mas, por quê será que há este distanciamento? Será que negras e negros só servem apenas como máquina de consumo dos produtos elaborados pelos pelos brancos? Será que negras e negros não servem como referência visual para a aceitação de um universo maior?

 Sei que isto é uma discussão muitíssimo ampla e que cabe várias opiniões e contradições, mas uma coisa é fato: negras e negros, no cenário fashion como um todo, ainda estão escassos.

Podemos refletir sobre esta realidade a partir das tentativas bem sucedidas de mulheres negras que, conseguiram alcançar o seu reconhecimento e se manteram fazendo história dentro do universo da visibilidade.

Abaixo algumas das primeiras modelos negras na história da moda



Donyale Luna foi a primeira modelo negra na capa de uma grande publicação americana. Era a edição de janeiro de 1965 da Harper’s Bazaar.
Um ano depois, ela estaria na capa da edição de março da Vogue Britânica. De acordo com o jornal The New York Times, Donyale tinha um contrato de exclusividade com o fotógrafo Richard Avedon.
Num artigo da revista Time, publicado em 01 de abril de 1966, o título “The Luna Year” deixava bem claro o sucesso da moça. No ano seguinte, o fabricante de manequins de loja, Adel Rootstein, criou um modelo feito a imagem de Donyale – um ano antes a modelo Twiggy serviu de inspiração.
Paralela a carreira de modelo, Donayle era atriz e participou de alguns filmes de Andy Warhool, Federico Fellini, Otto Preminger e em 1972 protagonizou “Salome”, dirigido pelo italiano Carmelo Bene.
Sete anos depois, Donayle morre de overdose. Estava com 34 anos.

 

Supermodel
Depois de se formar psicóloga pela New York University, a também americana Naomi Sims bateu na porta de várias agências de modelo, recebendo negativas, com a justificativa que “sua pele era muito escura”.
Até que o fotógrafo Gosta Peterson decidiu coloca-la na capa do Fashion of the Times, suplemento de moda do jornal The New York Times, de 1967.
Mesmo assim, sua carreira não decolava.
Aí… Ela conheceu Wilhelmina Cooper, uma ex-modelo que acabara de abrir uma agência, que mandou cópias da capa da Fashion of the Times para diversas agências de publicidade. O resultado foi estrelar a campanha nacional da empresa de telefonia AT&T (usando roupas do estilista Bill Blass). Um ano depois, Naomi ganhava $ 1.000 por semana.
Ela se tornou a primeira supermodel negra na história da moda, aparecendo em outras diversas publicações de moda e outras de apelo mais popular.
Em Novembro de 1968, ela apareceu na capa da revista Ladies’ Home Journal e ainda ganhou artigo no The New York Times afirmando que Naomi era o melhor retrato do movimento “Black is Beautiful”.
No ano seguinte, ela foi a capa de outubro da Life - a mais famosa publicação da época, que declarava que Naomi era a modelo do ano.
Em 1972, Hollywood mostrou interesse que ela estrelasse o filme “Cleopatra Jones”. Contudo, depois de ler o roteiro, ela se negou, afirmando que era muito racista.
Em 1976, ela lança uma linha de perucas para as mulheres negras, a Naomi Sims Collection. O sucesso foi tanto, que ela abriu uma bem-sucedida empresa.
Além das perucas, ela criou produtos para pela, cabelos e maquiagem para mulheres negras, vendidos com sucesso até hoje.
Naomi morreu de câncer no seio em agosto do ano passado. Ela estava com 61 anos.
Vogue
Quando completou 82 anos, a Vogue America fez história ao colocar Beverly Johnson na capa.
A mais influente publicação para mulheres ricas americanas tinha uma negra na sua capa. Depois disto, o rosto de Beverly esteve em quase 500 outras capas de revista.
Nesta época, cada grande criador de moda americano tinha uma modelo negra no seu casting.
Em seguida, ela começou uma carreira de atriz da TV, participando de diversas séries, como “Law & Order” e ”Lois & Clark: The New Adventures of Superman”. Recentemente, ela esteve por duas temporadas no reality series “She’s Got The Look”, onde 36 mulheres acima dos 35 anos competem pelo título de Supermodel “acima dos 35″.
Como sua colega, Naomi, Beverly também lançou uma bem-sucedida linha de perucas, chamada Beverly Johnson Hair Collection (será que este será o destino de Naomi?).
Um dos romances mais famosos que Beverly teve foi com o ator Chris Noth, o mítico Mr. Big, de “Sex And The City”.
Em 2006, ao lado de Tina Turner, Coretta Scott King e Rosa Parks, Beverly foi uma das premiadas no “Oprah Winfrey’s Legends Ball” – que anualmente homenageia mulheres negras que se destacaram no campo do entretenimento, direitos civis e artes.
O The New York Times a nomeou como uma das mais influentes pessoas da moda no século XX.
Maquiagem
O nome de Veronica Webb é mais associado ao fato de ser a primeira modelo negra a assinar um contrato exclusivo com uma grande marca de maquiagem, a Revlon.
Mas ela fez muito mais, numa carreira de modelo, atriz e jornalista.
Nas passarelas, ela desfilou para Chanel, Azzedine Alaia, Isaac Mizrahi, Todd Oldham e Victoria’s Secret.
Foi capa da Vogue, Essence e Elle e por cinco anos, foi colunista da revista Paper. Também escreveu para a Details, Esquire, The London Sunday Times e The New York Times Syndicate.
Como atriz, participou dos dois mais importantes filmes do cineasta Spike Lee “Malcom X” e “Febre na Selva”.
Na TV, ela apresentou programas na MTV, VH1, E! Entertainment, Fashion TV e Fox Entertainment, além correspondente para a HBO News, ”Good Morning America” e da BBC.
 


Rock
Fechando com chave de ouro o reinado de modelos negras: Iman.
Seu primeiro contrato como modelo foi na Vogue, em 1976.
Em seguida, apareceu em diversas publicações mundiais, estrelou campanhas para Gianni Versace, Calvin Klein, Donna Karan e Yves Saint Laurent e se tornou um dos nomes mais importantes da moda da década de 80.
Durante seus 14 anos como modelo de sucesso, Iman trabalhou com os principais fotógrafos de moda, como Helmut Newton, Richard Avedon, Irving Penn e Annie Leibovitz.
Quando se casou com o roqueiro inglês, David Bowie, em 1987, lentamente começou a se afastar das passarelas.
Tentou a carreira como atriz de TV (apareceu na série cult da década de 80 “Miami Vice) e no cinema (“Sem Saída”, ao lado de Kevin Costner e “Entre Dois Amores”, ao lado de Meryl Streep e Robert Redford), mas não decolou.
Em 1994, ela lançou uma linha de maquiagem, produtos de pele e perfumes, a Iman Cosmetics.
Dez anos depois, a empresa se tornou parceira da Proctor And Gamble, mantendo Iman como diretora executiva.
Iman é embaixadora oficial do projeto “Mantenha uma Criança Viva”, que distribui medicamentos para crianças portadoras do HIV/AIDS na África e Índia.
Sucessoras
Estas moças foram as precursoras de uma carreira muito difícil, com direito a muitas negativas, situações constrangedoras de racismo, mas, por talento e muita sorte, elas sobreviveram e se tornaram figuras de sucesso.
Elas abriram as portas para gente como Naomi Campbell (sem dúvida alguma, a modelo negra mais famosa dos últimos 20 anos), Tyra Banks, Liya Kebebe, Alek Week, Chanel Iman e outras.
O único dado realmente lamentável, é saber que a história das modelos negras praticamente nem começou no Brasil.
Quem sabe quando uma delas for capa da Vogue Brasil, as coisas finalmente mudem, não é?
Plus: Nâo me esqueci de Grace Jones. Contudo, vamos admitir que sua carreira de cantora teve mais destaque do que sua fase de modelo!
Fonte: MondoModa 

Conhecemos um pouco mais da história de algumas modelos negras que iniciaram sua trajetória nos primórdios do cenário da moda mundial. Hoje, já avançamos, mas  a modelo negra de maior expressividade neste cenário hoje chama-se Naomi Campbell.



Liya Kebede

Alek Week




Veronica Webb - Primeiro modelo negra a assinar contrato com a Revlon em 1992.




Grace Jones - Ícone da moda mundial.


Em breve darei continuidade a esta rica matéria contando um pouco mais a história da mulher negra no mundo da mídia e da moda.

 Qual a importância disso?

 Conhecermos um pouco mais da história e trajetória que cercam estas mulheres e sabermos em que universo estamos situadas: como protagonistas ou espectadoras.

 Beijos!


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3 comentários:

  1. ta faltando a diva Tyra Banks

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  2. Anônimo,

    Como ela é uma modelo mais da atualidade, segundo compreendi, farei num outro bloco uma matéria sobre ela, tá bom?

    Obrigada pela sua sugestão. Beijos!

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  3. Amo amoasmodelosnegrasinclusiveatyrabanksmasachoquetpdasasmodelosdevemreverenciaranaomicampbellemrelacaoapassarela.

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